Assédio e saúde mental: por que esses temas precisam estar na agenda das empresas

Autor: Sing Comunicação

Assédio e saúde mental: por que esses temas precisam estar na agenda das empresas

Quando falamos em assédio moral no trabalho, é comum pensarmos primeiro em legislação, políticas internas, canais de denúncia e consequências jurídicas. Tudo isso é importante. Mas a prevenção começa antes: na forma como as pessoas são tratadas todos os dias.

Essa foi uma das reflexões que guardei comigo ao participar do RH Evolution 2026, que aconteceu em São Paulo em agosto, e que trouxe discussões importantes sobre assédio, saúde mental e o papel das empresas na construção de ambientes de trabalho mais saudáveis.

Assédio moral: entender o que é e o que não é

O assédio moral está relacionado à exposição repetitiva e prolongada de uma pessoa a situações humilhantes, constrangedoras ou de perseguição no ambiente de trabalho.

Pode acontecer por meio de intimidações, comentários e piadas constrangedoras, exposição pública, isolamento ou mudanças de função usadas como forma de punição. E não acontece apenas entre líder e liderado: também pode ocorrer entre colegas ou até da equipe em relação à liderança.

Ao mesmo tempo, é importante não confundir assédio com situações que fazem parte da gestão. Cobrar resultados, estabelecer metas, dar feedback ou corrigir uma entrega não é assédio. A diferença muitas vezes está na forma como essas situações são conduzidas. Uma cobrança pode ser firme, sem ser desrespeitosa. Um feedback pode apontar um problema sem constranger.

E é justamente na forma como essas relações acontecem no dia a dia que o tema do assédio se conecta diretamente com outro assunto cada vez mais importante dentro das empresas: a saúde mental.

Saúde mental começa na rotina

Saúde mental não se resolve apenas com benefícios, campanhas ou palestras. Mas sim, pela forma como os colaboradores são analisados, pela qualidade das relações, pela clareza sobre o que se espera de cada um e pelo espaço para conversar quando alguma coisa não está bem. Uma queda de rendimento ou uma mudança de comportamento pode ter diferentes motivos. Pode existir um problema familiar, um momento de luto ou uma dificuldade financeira.

Não cabe à empresa resolver todos os problemas pessoais de seus colaboradores. Mas cabe às lideranças e ao RH criar um ambiente de escuta ativa em que seja possível conversar sobre eles com respeito e sem julgamento.

O papel do RH e das lideranças

Prevenir o assédio e cuidar da saúde mental não depende de uma única ação. É um trabalho contínuo, que envolve políticas, processos e, principalmente, a forma como as pessoas são tratadas no dia a dia.

Algumas ações fazem diferença:

  • Capacitar as lideranças para feedbacks e mediação de conflitos;

  • Criar canais seguros de escuta e denúncia;

  • Ter políticas claras e transparentes;

  • Trabalhar saúde mental de forma contínua, e não apenas em campanhas pontuais;

  • Estimular uma comunicação aberta dentro das equipes.

Políticas e processos são importantes, mas a cultura aparece no dia a dia e ela é fundamental para um ambiente saudável e seguro.

É ela que influencia a forma como o líder fala com sua equipe, a maneira como um erro é tratado, a reação diante de uma denúncia e a abertura para uma conversa difícil.

Por isso, falar sobre assédio e saúde mental não é responsabilidade apenas do RH e sim uma responsabilidade compartilhada por toda a empresa.

Daniella Relva

01/09/2026

Sing, agência boutique de comunicação e relações públicas, com atuação no Brasil e na América Latina, especializada em tecnologia, inteligência artificial, assessoria de imprensa, gestão de reputação de marcas e estratégias de mídia para empresas globais.

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