Sou gestora, e agora? “Guia para Novos Líderes” destaca que a gestão de pessoas não é delegável
Autor: Janaina Leme
Liderar sempre foi desafiador, mas o contexto atual adicionou camadas de complexidade: excesso de comunicação, pressão por produtividade, mudanças constant...
Liderar sempre foi desafiador, mas o contexto atual adicionou camadas de complexidade: excesso de comunicação, pressão por produtividade, mudanças constantes e desgaste emocional.
Alguns dados ajudam a dimensionar o tamanho do problema e indicam por que livros práticos de liderança fazem diferença:
- O gestor influencia diretamente o engajamento do time. Dados da Gallup apontam que os gestores respondem por “pelo menos 70% da variação” no engajamento dos colaboradores entre equipes/unidades.
- Um recorte de pesquisa citada pelo Gartner aponta que 74% dos líderes de RH acreditam que os gestores não estão equipados para liderar mudanças.
Ou seja: o mercado está pedindo mais maturidade de liderança, mas o ambiente - agenda lotada, interrupções e fadiga de mudança - não ajuda. Nesse cenário, uma das forças do “Guia para Novos Líderes” é transformar princípios em ações concretas.
Essa leitura fez parte do Clube de Cultura da Sing, escrito por Milena Brentan e publicado pela Editora Labrador. O livro conversa com quem acabou de assumir uma posição de liderança (ou está prestes a assumir) e precisa de direcionamento prático para o dia a dia: rotina, rituais, decisões difíceis e, principalmente, gente.
Milena Brentan é psicóloga e coach executiva, com carreira dedicada ao desenvolvimento de liderança e à gestão de pessoas, combinando experiência corporativa com atuação como mentora/consultora para líderes.
“Guia para Novos Líderes” é dividido em Prefácio, Introdução, 10 capítulos (com níveis de liderança) e termina com seções finais para anotações, agradecimentos e referências. Um ponto bem legal é que a autora convida o leitor a interagir: há espaços de reflexão e anotações ao longo dos capítulos, além de depoimentos e histórias de líderes de sucesso.
Isso faz o livro sair do lugar de “conteúdo inspiracional” e entrar no terreno do “manual de uso” para o cotidiano.
Dicas interessantes retiradas da leitura:
Na prática, isso muda muito a postura: em vez de “terceirizar” o desconforto, o líder participa do processo, avalia contexto, combina expectativas, dá feedback e toma decisão.
Essa visão conversa com o dado da Gallup: se o gestor é um dos maiores motores do engajamento, faz sentido que ele também seja protagonista nas decisões que definem a qualidade do time.
Eu traduziria isso assim: autonomia precisa vir acompanhada de direção, clareza e acompanhamento. Não é microgestão, mas também não é “some aí e me atualiza quando der”.
Num mundo em que falta foco e sobra interrupção, esse equilíbrio fica ainda mais importante: orientação ajuda a equipe a priorizar, e autonomia evita que tudo dependa do líder.
Prazo não é só cobrança. Prazo é clareza. É o que transforma intenção em combinado e reduz aquela sensação de “tudo é urgente”. E mais: prazo bom é prazo que pode ser negociado quando necessário — mas não pode ser inexistente.
Entre as dicas do livro, essas são especialmente úteis para quem está tentando organizar agenda e energia:
Outra citação que reforça o ponto central: “Líderes que não assumem a responsabilidade pela gestão de pessoas correm um risco gigante de formar uma equipe ineficaz. Isso porque é maior a chance de fazer contratações malsucedidas, assim como dar feedbacks, acompanhar as pessoas e promovê-las.” (pag. 151)
O que o livro chama atenção aqui é quase um “efeito dominó”: se o líder não assume a gestão de pessoas, a chance de errar aumenta em várias frentes — e, com o tempo, isso vira time desalinhado, desempenho irregular e desgaste (para o líder e para a equipe).
No fim, o “Guia para Novos Líderes” (Milena Brentan, Editora Labrador) funciona como um lembrete pragmático: liderança não é só entregar resultado; é construir um time capaz de entregar com você — com clareza, prazos, rituais e responsabilidade real por pessoas. E ter lido isso no contexto do Clube de Cultura da Sing deixou a experiência ainda melhor, porque amplia a reflexão: o que, de fato, eu vou colocar em prática já na próxima semana?
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