Web Summit Rio 2026: a inteligência artificial entra em uma nova fase

A inteligência artificial continua no centro das discussões sobre tecnologia, mas o Web Summit Rio 2026 mostrou que o mercado já está olhando além da IA generativa. O foco agora está em como transformar modelos de IA em capacidade real de execução, integrando agentes autônomos, dados e processos para gerar resultados concretos para os negócios. A dimensão do evento ajuda a explicar a relevância dessas discussões. Nesta edição, o Web Summit Rio reuniu 40.287 participantes, 1.572 startups, 688 investidores, 479 palestrantes, 133 meetups e 720 jornalistas. Desde sua chegada ao Brasil, em 2023, empresas que passaram pelo evento já captaram mais de R$ 2,46 bilhões em investimentos, consolidando o encontro como um dos principais pontos de conexão do ecossistema de inovação da América Latina. Entre os temas mais debatidos, um conceito apareceu repetidamente nos palcos e conversas ao longo dos dias de evento: a evolução da inteligência artificial para sistemas cada vez mais autônomos e especializados. Durante suas participações no Web Summit, Marcio Aguiar, diretor da divisão Enterprise da NVIDIA para América Latina, defendeu que a próxima onda da IA será construída pelas próprias organizações, e não apenas consumida por meio de modelos prontos. A visão apresentada pela NVIDIA aponta para um cenário em que empresas desenvolvem agentes treinados com seus próprios dados, processos e conhecimento de negócio. Nesse contexto, o diferencial competitivo deixa de estar apenas no acesso à tecnologia e passa a estar na capacidade de criar inteligência alinhada às necessidades específicas de cada organização. Essa mudança representa uma evolução importante na forma como a IA é utilizada. Se a primeira fase foi marcada pela experimentação e pelo uso de modelos generativos, a próxima deve ser caracterizada pela construção de agentes capazes de executar tarefas, tomar decisões dentro de parâmetros definidos e interagir com diferentes sistemas para atingir objetivos específicos. Mas talvez o aspecto mais interessante do evento tenha sido perceber que a discussão sobre inteligência artificial está amadurecendo. Em diferentes painéis, entrevistas e conversas, a pergunta já não parecia ser "o que a IA é capaz de fazer?". A questão passou a ser "como gerar valor real a partir dela?". Temas como governança, retorno sobre investimento, integração aos processos de negócio e adoção em escala ganharam espaço, mostrando que a tecnologia está deixando a fase da curiosidade para entrar definitivamente na agenda estratégica das empresas. Outro ponto que chamou atenção foi a velocidade com que os ciclos de inovação estão se encurtando. Tecnologias que há pouco tempo eram vistas como experimentais já aparecem sendo discutidas sob a perspectiva de implementação, produtividade e resultados. Para empresas e marcas, isso representa um desafio importante: acompanhar a evolução tecnológica sem perder clareza estratégica, consistência de posicionamento e capacidade de adaptação. Além dos conteúdos apresentados nos palcos, o Web Summit também reforça a importância das conexões que acontecem dentro do ecossistema de inovação. Durante o evento, foi possível acompanhar a participação de outros clientes da Sing, como WideLabs e Genesys, contribuindo para debates sobre tecnologia, transformação digital e experiência do cliente. A presença dessas empresas mostra como a inovação é impulsionada pela colaboração entre diferentes atores do mercado e pela troca constante de conhecimento. E se a inteligência artificial está redefinindo a forma como as empresas operam, ela também está transformando a maneira como elas comunicam inovação. Não basta desenvolver novas tecnologias; é preciso traduzir conceitos complexos em mensagens compreensíveis, demonstrar impacto real e construir credibilidade junto aos diferentes públicos. Em um ambiente cada vez mais influenciado por automação e inteligência artificial, confiança, transparência e reputação tornam-se ativos ainda mais valiosos. Por isso, um dos aprendizados mais relevantes do Web Summit Rio 2026 talvez esteja além da tecnologia em si. A inovação continua sendo fundamental, mas sua adoção depende cada vez mais da capacidade das organizações de conectar estratégia, execução e comunicação. Empresas que conseguirem não apenas implementar novas soluções, mas também explicar com clareza seus benefícios, limitações e impactos, estarão mais preparadas para construir relacionamentos duradouros com clientes, parceiros, investidores e sociedade. Mais do que apresentar tendências, o Web Summit Rio 2026 evidenciou uma mudança de mentalidade. O futuro não será definido apenas por quem utiliza inteligência artificial, mas por quem consegue transformá-la em capacidade real de execução, geração de valor e construção de confiança. Para quem atua com tecnologia, comunicação e inovação, acompanhar essa transformação de perto é uma oportunidade valiosa para entender não apenas para onde o mercado está caminhando, mas como ele já está mudando hoje. Isadora Fernandes 17/06/2026 Sing, Sing, agência boutique de comunicação e relações públicas, com atuação no Brasil e na América Latina, especializada em tecnologia, inteligência artificial, assessoria de imprensa, gestão de reputação de marcas e estratégias de mídia para empresas globais. PR Agency Brazil | PR Agency Latam |