Quem é o seu robô? Porque agentes autônomos precisam de uma identidade digital para fechar negócio
Cliente: WSO2

*Por Fernando Arditti
Há pouco tempo, delegar uma decisão de negócio para uma máquina era exceção. Hoje é rotina, e cresce rápido. O Gartner estima que, até o fim deste ano, 40% das aplicações corporativas vão incluir agentes de IA especializados em tarefas específicas, um salto e tanto se comparado aos menos de 5% do ano passado. A mesma consultoria projeta que, até 2028, 15% das decisões operacionais do dia a dia serão tomadas de forma totalmente autônoma por esses agentes, partindo de praticamente zero em 2024.
Na prática, isso já significa agentes negociando contratos, comparando fornecedores, acessando dados de clientes e, em muitos casos, executando transações financeiras sem que nenhum humano aprove cada etapa. O próprio Gartner, porém, faz um alerta que vale a pena repetir: mais de 40% dos projetos de IA Agêntica devem ser cancelados até 2027, não por falta de tecnologia, mas por falta de controle claro sobre risco, custo e governança. No fundo, falta confiança estruturada.
E o que eu mais ouço de clientes ultimamente é a dúvida sobre quem garante que o robô do outro lado da negociação é, de fato, quem diz ser?
A resposta que o mercado vem construindo passa por ampliar o conceito tradicional de IAM (Identity and Access Management) para incluir também as chamadas identidades não humanas, as NHIs. Bots, workloads e agentes de IA operam dentro dos sistemas corporativos sem intervenção direta de uma pessoa, e é justamente por isso que cada um precisa ter identidade própria, verificável, com permissões estritas e auditáveis antes de tocar em dado sensível ou fechar qualquer transação em nome de uma empresa.
Não é um movimento isolado, é resposta a um problema real. Os sistemas de IAM tradicionais simplesmente não foram desenhados para agentes que decidem em tempo real e, em alguns casos, criam subagentes para executar tarefas, multiplicando pontos de acesso e, com eles, o risco de fraude.
Um exemplo prático ajuda a entender o tamanho do problema. Imagine um agente de IA contratado para negociar com fornecedores: ele consulta histórico de preços, verifica estoque em tempo real, negocia condições diretamente com o agente do fornecedor e fecha o pedido, tudo sem um humano acompanhando cada passo. Hoje, a maioria das empresas ainda trata esse agente como uma simples chave de API compartilhada, sem identidade própria nem rastreabilidade individual. E o risco é evidente, pois se um sistema comprometido tiver acesso à mesma credencial genérica que é usada por dezenas de agentes, apenas uma única falha de segurança se tornará uma porta de entrada para uma sequência de fraudes.
É esse o tipo de problema que já aparece no radar de várias empresas de tecnologia. A WSO2, por exemplo, desenvolveu o Agent Manager, um plano de controle aberto que permite às organizações registrarem, governarem e auditarem agentes de IA em produção, transformando o que antes era um "processo invisível" em identidades reconhecidas e responsáveis por suas próprias ações.
Esse tipo de solução se conecta ao conceito de Agent ID, que estende a mesma estrutura de identidade confiável usada para pessoas e aplicações também para agentes autônomos, com registro, autenticação, autorização e auditoria de cada agente como identidade de primeira classe, com controle de acesso granular e políticas de delegação bem definidas.
Outro exemplo é o ThunderID, projeto open-source levado à OpenWallet Foundation com participação da WSO2, que propõe um stack de IAM construído especificamente para agentes, com foco em interoperabilidade e transparência. Iniciativas assim reforçam a importância de protocolos abertos de identidade para sustentar a confiança nessa nova geração de agentes autônomos.
O ponto central é que a maioria das organizações ainda opera com controles de acesso pensados só para usuários humanos, deixando os agentes de IA num ponto cego de governança. Padrões como credenciais verificáveis, autenticação assíncrona e políticas de acesso delegado resolvem exatamente isso: aumentam a rastreabilidade sobre quem fez o quê, quando e com qual permissão, reduzindo fraude e abrindo caminho para automação confiável em larga escala.
Nos próximos anos, empresas de todos os setores vão precisar atualizar seus sistemas de identidade para reconhecer, autenticar e monitorar agentes autônomos com o mesmo rigor hoje aplicado a colaboradores humanos. Isso exigirá investimento técnico, mas também mudança cultural na forma como cada organização entende quem, ou o quê, está agindo em seu nome.
No fim, a lição é simples, onde identidade não é um detalhe técnico nessa história, é a base sobre a qual toda a automação inteligente vai ou não funcionar com segurança.
*Fernando Arditti é Vice Presidente & General Manager Latin America na WSO2.
Sobre a WSO2
A WSO2 fornece a tecnologia fundamental que sustenta a empresa agêntica, permitindo que as organizações construam, governem e escalem sistemas autônomos e orientados por IA de forma segura e confiável. O stack unificado da WSO2 inclui sua plataforma de agentes para orquestrar e gerenciar agentes autônomos como atores de primeira classe dentro dos fluxos de trabalho corporativos; uma plataforma de APIs reconhecida pelo mercado para criar, gerenciar e escalar APIs seguras; uma plataforma de integração para conectar aplicações, sistemas e dados em ambientes digitais complexos; uma plataforma de identidade reconhecida por analistas para gerenciar acesso seguro, contínuo e governança; e uma plataforma de engenharia para acelerar a criação de produtos digitais em um ambiente preparado para IA. Ao combinar essas capacidades, a WSO2 permite que as empresas acelerem a inovação e entreguem experiências digitais inteligentes e confiáveis em escala. Fundada em 2005, a WSO2 possui escritórios na Austrália, Brasil, Alemanha, Índia, Espanha, Sri Lanka, Emirados Árabes Unidos, Reino Unido e Estados Unidos, gerando mais de US$ 100 milhões em receita recorrente anual. Visite wso2.com para saber mais.
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28/07/2026